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November 24

FERRARI

 

O balanço

 

Um balanço ao vento se move suavemente.

Não se vê chão, não se vê céu... Apenas um movimento ritmado para frente... para trás...

Juliana tem 13 anos e está feliz como nunca.

Mais forte, papai! – Diz ela, eufórica.

Naquele momento inesquecível, a paisagem se apaga para ela. Some em meio à alegria de estar com quem se ama.

Seu sorriso de criança encontra o ar leve, perfumado.

Seus ouvidos se deleitam com a voz tranquila do pai amado. Ela se sente segura, como nunca antes se sentira.

O balanço vai diminuindo o ritmo, e quando está prestes a parar ela percebe que o pai está diante do seu rosto.

Como ele é bonito... – ela pensa. Uma beleza especial, que está mais dentro do coração da filha, do que nos olhos do mundo.

Filha... Você precisa voltar. – Diz o homem ternamente.

Mas eu não quero, papai... – Responde ela com voz de cristal.

Eu sei, meu amor... Mas você precisa voltar.

Ela começa a chorar... O choro da brincadeira que acaba tão cedo. O choro da vontade de continuar ali.

A menina acorda em pranto.

Era um sonho! – Pensa ela. Mas parecia tão real...

Sente um aperto forte no peito e não consegue identificar o que é.

É a saudade... – diz uma pequena voz em sua cabeça.

Sim, era a saudade do pai, do amor que havia partido quando tinha apenas 3 anos de idade.

Ela já havia sonhado com ele várias vezes, mas dessa vez foi inesquecível. Tão especial que, a partir desse dia, ela aprendeu a chamar aqueles sonhos de visitas.

Todo balanço que vê, ativa sua memória, acelera seu coração, pois faz lembrar de um grande amor que esteve na Terra com ela, durante pouco tempo, mas que ainda a visita sempre.

                                                           *   *   *

Por onde andam os amores que não mais estão aqui conosco?

Se aprendemos que o amor une ao invés de afastar, por que crer na distância da morte?

Sim, a morte não nos separa. Talvez um breve afastamento físico, mas nunca o afastamento das almas.

Os que nos amam continuam ao nosso lado, e se partiram antes, quase sempre se tornam companheiros anônimos e invisíveis dos nossos dias.

São eles, muitas vezes, que nos trazem as forças que precisamos para continuar, o carinho dos bons conselhos ou os puxões de orelha amorosos.

Em espírito nos acompanham, oram e vibram por nós, da mesma forma que fariam se estivessem ainda encarnados.

A morte não muda o amor. A distância não é impedimento para o carinho.

Eles estão mais perto do que imaginamos, e neste grande ir e vir do planeta, logo mais estaremos juntos uma vez mais.

Estaremos juntos lá, pois nunca sabemos quanto tempo ainda temos, ou mesmo aqui, lembrando que a reencarnação é uma das Leis maiores do Universo.

 

Redação do Momento Espírita.

November 23

OFÍCIO PATERNO

 

Conta-se que um homem, ainda jovem, querendo saber o segredo de ser um bom pai, foi visitar um sábio que vivia numa alta montanha. Sendo recebido por ele, foi logo expondo o seu problema.

- Estou aqui porque preciso da sua orientação. Não sei bem como lidar com meus filhos. Se sou severo com eles, acusam-me de ser ditador, se sou atencioso, gentil, tomam-me por fraco... Amigo, me diga qual é a melhor forma de criar os filhos!

O sábio ouviu-o atentamente e limitou-se a entregar-lhe um cinzel e um bloco de madeira, dizendo:

- Pega isso, filho, e leva contigo. Quando tiveres esculpido uma obra de valor, traga-a aqui e terás a resposta que procura.

O jovem pai olhou-o surpreso. Não quis ser descortês com quem lhe dispensara um pouco do seu tempo e fizera a gentileza de recebê-lo em sua casa. Meio decepcionado, pegou o que o sábio lhe oferecia, levantou-se e saiu.

Mais entristecido do que nunca, chegou em casa cabisbaixo. Os filhos logo o cercaram querendo saber para que serviam aqueles instrumentos. Ele se deixou envolver pela alegria contagiante das crianças e logo se viu sentado entre elas tentando esculpir na madeira.

Passaram-se os dias, quase sem ele perceber. Conseguira concluir sua obra! Então, subiu novamente a montanha e, orgulhoso, apresentou ao sábio o resultado de seus esforços.

Tomando a escultura nas mãos, o sábio observou e apreciou cada detalhe.

- Muito bem, disse ele dirigindo-se ao pai. - Ao esculpir a madeira, como eram os golpes que você dava com o cinzel? Fortes ou fracos?

- No início eu dava golpes duros, secos, desajeitados. Percebi que isso prejudicava a madeira.

Mas fui aos poucos adquirindo prática e, então, fui aprendendo a golpear com menos força, a usar melhor o cinzel, a tirar somente as lascas que fossem necessárias. Aprendi a conhecer a madeira, a amar a obra. Conseguia visualizar quão bela seria mesmo antes de ela tomar forma.

Aprendi a respeitar suas limitações, e as minhas, a saber que para cada obra é necessário um tipo de madeira, que é preciso paciência, cuidado com os detalhes, saber olhar. Aprendi que outros podem me ajudar, mas cabe a mim a tarefa de terminar. Aprendi a não esperar a perfeição, visto que meus próprios esforços são imperfeitos, e que muitas vezes ainda vou errar. Aprendi que, mesmo se houvesse um modelo a seguir, cada obra é única, não aceita imitação.

Aprendi que a beleza já reside na madeira, minha função é apenas ajudá-la a vir para fora. Aprendi que por detrás de uma aparência rude, descuidada e até danificada, pode estar uma madeira nobre, precisando de reparos, que pode ser recuperada se souber trabalhar nela com carinho. Aprendi a olhar para dentro de mim mesmo, mas a não permanecer apenas lá. Aprendi que quanto mais perto de Deus me sentir, mais passo isso para o que estou fazendo. Aprendi que estou aqui para aprender mais do que para ensinar...

- Muito bem, meu amigo, concluiu o sábio - Aprendestes o ofício paterno. Aprendestes a ser Pai!

                                                         * * *

Não deixe que seus medos tornem-se obstáculos no caminho dos seus sonhos, solte-se e deixe a alegria de viver moldar sua vida na proporção exata para atingir os fins, assim como esse pai aprendeu o ofício paterno.

PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE

* * *

 

Este texto foi publicado também na

Revista Espírita HARMONIA, nº. 178

November 22

OS PORTÕES DE CHEGADA

 

Cada abraço daqueles guarda uma história diferente...

Cada reencontro daqueles revela um outro mundo, uma outra vida, diversa da nossa, da sua...

Se você nunca teve a oportunidade de observar, por mais de cinco segundos, todas aquelas pessoas – desconhecidos numa multidão - esperando seus amigos, seus familiares, seus amores, não tenha medo de perceber da próxima vez, a magia de um momento, de um lugar.

Falamos dos portões de chegada de um aeroporto, um desses lugares do mundo onde podemos notar claramente a presença grandiosa do amor.

Invisível, quase imperceptível, ali ele está com toda sua sublimidade.

Nas declarações silenciosas de um olhar tímido. No calor ameno de um abraço apertado. No breve constrangimento ao tentar encontrar palavras para explicá-lo.

Na oração de três segundos elevada ao alto - agradecendo a Deus por ter cuidado de seu ente querido que retorna.

Richard Curtis, que assina a produção cinematográfica de nome “Love actually” – traduzida no Brasil como “Simplesmente amor”, traz essas cenas com uma visão muito poética e inspirada.

O autor oferece na primeira e última cenas do filme exatamente a contemplação dos portões de chegada de um aeroporto, e de seu belíssimo espetáculo representando a essência do amor.

Ouve-se um narrador nos primeiros segundos, confessando que toda vez que a vida se lhe mostrava triste, sem graça, cruel, ele se dirigia para o aeroporto para observar aqueles portões, e ali encontrava o “amor por toda parte”.

Seu coração alcançava uma paz, um alívio, em notar que o amor ainda existia, e que ainda havia esperança para o mundo.

Isso tudo pode parecer um tanto “poético” demais para os mais práticos, é certo.

Assim, a melhor forma de compreender a situação proposta é a própria vivência.

Sugerimos que faça a experiência de, por alguns minutos, contemplar essas cenas por si mesmo, seja na espera de aviões ou outros meios de transporte coletivos.

Propomos que parta de uma posição mais analítica, de início, com algumas pitadas de curiosidade:

“Que grau de parentesco possuem aquelas pessoas?” - “Há quanto tempo não se vêem?” - “De onde chegam?”

Ou, quem sabe, sobre outros: “Que histórias têm para contar!” - “O que irão narrar por primeiro ao saírem dali? Sobre a família, sobre a viagem, sobre a espera em outro aeroporto?”

Ao perceber lágrimas em alguns olhos, questione: “De onde elas vêm?” - “Há quanto tempo não se encontram?” - “Que felicidade não existe dentro da alma naquele momento!”

Por fim, reflita:

“Por quanto tempo aquele instante irá ficar guardado na memória!”. O instante do reencontro...

Tudo isso poderá nos levar a uma analogia final, a uma nova questão: não seria a Terra um imenso aeroporto? Um lugar de chegadas e partidas que não param, constantes, inevitáveis?

Pensando nos portões de chegada na Terra, lembramos dos bebês, que abraçamos ao nascerem, com este mesmo amor daqueles que esperam num aeroporto por seus amados.

Choramos de alegria, contemplando a beleza de uma nova vida, e muitas vezes este choro é de gratidão pela oportunidade do reencontro.

É um antigo amor que, por vezes, volta ao nosso lar através da reencarnação.

Pensando agora nos portões de partida, inevitavelmente lembramos da morte, da despedida.

Mas este sentir poderá ser também feliz!

Como o sentimento que invade uma mãe ou um pai que dá adeus a um filho que logo embarcará em direção a outro país, a fim de fazer uma viagem de aprendizagem, de estudo, ou profissional.

Choram sim, de saudade, mas o sentimento que predomina no bom coração dos pais é a felicidade pela oportunidade que estão recebendo, pois têm consciência de que aquilo é o melhor para ele no momento.

                                                                * * *

Vivemos no aeroporto Terra.

Todos os dias milhares partem, milhares chegam.

Chegadas e partidas são inevitáveis.

O que podemos mudar é a forma de observá-las.

 

Texto da Redação do Momento Espírita com base no cap. Os portões de chegada, do livro  O que as águas não refletem, de Andrey Cechelero.

November 21

NOSSOS SONHOS

 

Você sonhou esta noite? Não se recorda?

O que é o sonho? Ele é o produto da liberdade que goza a alma, que se torna mais independente pela suspensão da vida ativa.

O sonho pode ser dividido em três categorias principais. O primeiro é o chamado sonho ordinário ou cerebral. É simplesmente o reflexo das impressões e imagens arquivadas no cérebro durante o período de vigília.

Ao adormecermos, tais imagens se liberam sem direção consciente e então temos cenas indecisas, sem sentido, sem coordenação. E que permanecem na memória.

Estados de sofrimento ou de doenças, facilitando o desprendimento do Espírito, aumentam ainda mais a incoerência e a intensidade dos sonhos. As impressões e imagens se chocam e se confundem.

A segunda categoria se dá quando o Espírito flutua na atmosfera, sem se afastar muito do corpo. Mergulha no oceano dos pensamentos e imagens que rolam, de todos os lados, pelo espaço.

Aí colhe impressões confusas. Tem estranhas visões. Sonhos inexplicáveis.

Também pode, nesse estado, mergulhar no passado, rever acontecimentos desta ou de anteriores vidas.

Esses sonhos, de uma infinita diversidade, conforme o grau de liberdade do Espírito, afetam sobretudo o cérebro físico. É por isso que deles conservamos a lembrança ao despertar.

O sonho profundo ou sonho espírita se dá quando o Espírito fica mais livre do corpo. Desprende-se da matéria e vai ao encontro dos seres amados, seus parentes, seus amigos, seus guias espirituais.

Também pode se encontrar, nesse estado, com outras almas, no momento encarnadas na Terra. Desses sonhos, o Espírito conserva impressões, que nem sempre afetam o cérebro físico.

Mas se gravam na consciência e depois surgem, no transcorrer dos dias, como pressentimentos, intuições, etc.

É por isso que o provérbio diz: A noite é boa conselheira.

São também registrados, com frequência, fenômenos de premonição durante os sonhos.

A mulher de Júlio César sonha com o assassínio do marido e tudo faz para que ele não vá ao Senado, naquele dia.

Abraão Lincoln, Presidente dos Estados Unidos, sonhou que se achava em uma calma como de morte. Ouviu soluços. Percorreu várias salas e no centro de uma delas viu um corpo deitado, vestido de preto, guardado por soldados. Enorme multidão chorava.

Quem morreu na Casa Branca? - perguntou. Um soldado respondeu: O Presidente. Foi assassinado. Pouco tempo depois ele morria assassinado.

E os pesadelos? São produto dos nossos desejos, recordações ou experiências espirituais inferiores, devido a um estado mental conturbado.

O maior antídoto contra os pesadelos é buscar manter o pensamento e a vontade ligados no bem. Uma boa vivência diária, uma boa leitura antes de dormir, oração sentida são excelentes recursos para termos bons sonhos.

Ainda uma vez, quem vive o bem, também sonha o bem.

                                                          * * *

Os sonhos não são verdadeiros como entendem os ledores da sorte.

É absurdo, pois, pensar que sonhar com uma coisa anuncia outra.

As preocupações do dia podem dar àquilo que se vê em sonhos, a aparência do que se deseja ou se tem medo. É um efeito da imaginação.

As interpretações supersticiosas, que pretendem relacionar os sonhos com jogos de azar e acontecimentos mundanos, devem ser repudiadas.

Gasta-se com isso preciosos recursos e oportunidades da existência.

 

Redação do Momento Espírita com base nos itens 400 a 412 de O livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. Feb; no cap. 13 do livro No invisível, de Léon Denis, ed. Feb e no cap. 30 do livro Conduta espírita, pelo Espírito André Luiz, psicografia de Waldo Vieira, ed. Feb.

November 20

Altruísmo

 

Luiz Moreau Gottschalk, um célebre pianista e compositor, visitando certa vez a cidade de Kingston, na Jamaica, entrou em um templo exatamente no momento em que se realizava um culto.

O pastor falava a respeito da caridade. Pintava com imagens fortes o estado a que tinham ficado reduzidas algumas famílias de uns pobres náufragos perdidos, naqueles dias, durante uma grande tempestade no mar.

O ministro usava toda a sua eloquência para comover o auditório, pedindo contribuições para remediar tanta desgraça.

Eram crianças órfãs, sem alimento. Eram viúvas, sem abrigo. Eram mães idosas, sem ninguém mais que olhasse por elas.

Comovido, o compositor acercou-se de um órgão, num dos ângulos do templo, sentou-se e deixou correr as mãos sobre o teclado.

Uma melodia de sabor religioso, tênue, triste, apaixonada, que parecia um coro sublime, começou a envolver a assembléia.

A suavidade da composição era tal que não impedia que todos continuassem a ouvir a voz do pregador que, dominado pela inspiração da música, ardorosamente foi tecendo imagens, evocando Jesus e a necessidade de amar o próximo.

Finalmente, ele concluiu a sua fala, fascinado, como todos os circunstantes, pelas deliciosas harmonias que saíam do órgão.

A música foi se perdendo em notas divinas e terminou. Então, o próprio pianista tomou seu chapéu, nele depositou algumas moedas, percorreu todos os bancos, recebendo dos presentes valiosos donativos.

Quando chegou ao último banco, no fundo do templo, viu uma senhora muito idosa, alquebrada pelos anos, que trazia o rosto sulcado por lágrimas.

Seria mãe de um dos náufragos? Uma viúva?

Sem pestanejar, ele esvaziou o chapéu no colo da senhora e desapareceu, porta afora.

                                                     *   *   *

Onde anda a miséria? Por vezes, empreendemos campanhas a favor de necessitados a respeito dos quais ouvimos falar e que se encontram distantes de nós.

Muito justo e meritório. No entanto é importante dar uma olhada ao nosso redor.

Existem pessoas muito necessitadas, mas que sofrem caladas, constrangidas de expor as suas dificuldades. Por isso mesmo, ensina o evangelho que o verdadeiro homem de bem é aquele que vai ao encontro da necessidade, sem esperar que a miséria lhe bata à porta.

Para isso, é preciso ter sensibilidade e voltar os olhos para os palcos do sofrimento.

Mesmo porque existem criaturas que, por sua própria condição, sequer podem estender mãos para pedir, pois os braços estão paralisados.

Há os que não podem erguer a voz para suplicar, porque a tem afogada na garganta, pelas lágrimas da dor que nunca cessa.

Há os que desejariam alcançar alguém que os auxiliasse, entretanto, as pernas lhes impedem andar.

                                                                  *   *   *

A obra do bem em favor de todos precisa de muitos braços e não exige títulos universitários ou recursos financeiros.

Aguarda, simplesmente, a vontade em ação, um coração que sente, uma mente que idealiza, braços fortes que ajam, desde agora, antes que a fome se transforme em enfermidade e a carência em miséria extrema.

 

Redação do Momento Espírita com base no artigo Altruísmo

de um grande músico, publicado no boletim semanal

Luz do evangelho, de 10.03.2001.

COMO SER AGRADÁVEL!

 

Um jardineiro tratava com cuidado da propriedade de influente juiz de Direito.

Pouco se falavam, e sua relação beirava a frieza.

O juiz raras vezes se dirigia àquele empregado para transmitir alguma orientação mas, naquele dia, foi ao seu encontro para dar sugestões sobre onde plantar uma e outra árvore.

As orientações foram passadas de forma direta, séria, sem rodeios e gentileza.

Num determinado momento, mudando o rumo da conversa, o jardineiro disse:

Sr. Juiz, o senhor tem uma excelente distração! Estive admirando seus lindos cães. Penso que o senhor já conseguiu vários primeiros lugares em exposições!

O efeito dessa pequena dose de apreciação foi grande.

Sim. - respondeu o juiz, esboçando sorriso orgulhoso. Os meus cães me servem de excelente distração. Gostaria de ver o meu canil?

Passou quase uma hora mostrando-lhe os cães e os prêmios que eles tinham recebido.

Ele mesmo foi buscar os pedigrees e explicou os cruzamentos responsáveis por tanta beleza e inteligência.

Depois de um tempo, o juiz, de cenho já muito modificado, virou-se para o jardineiro e perguntou:

Tem algum filhinho?

A pergunta pegou o jardineiro de surpresa, pois nunca antes lhe havia sido feito um questionamento pessoal.

Sim, tenho. - respondeu, timidamente.

Bem, ele não gostaria de um cachorrinho?

Oh, o seu contentamento não teria limites! - afirmou o homem com sorriso nos olhos.

Pois bem, vou dar-lhe um. - disse o juiz.

Então começou a ensinar como alimentar o cãozinho. Parou um pouco.

Você esquecerá de tudo quanto eu lhe disser. É melhor que eu escreva.

O juiz entrou, escreveu à máquina o pedigree e as instruções sobre alimentação e as entregou ao jardineiro, junto com o cachorrinho valioso.

Gastou mais de uma hora de seu tempo explicando, ensinando, pois havia sido conquistado pelo comportamento agradável daquele homem simples.

Analisando melhor toda cena, veremos que o jardineiro nada mais fez do que um rápido elogio, proferindo algumas palavras agradáveis ao outro.

O juiz, sentindo-se valorizado, teve prazer em estender a conversa e ainda deixou brotar em si um sentimento de fraternidade, pensando no outro, em seu filho, terminando por lhe oferecer um presente.

                                                            *  *  *

Gentileza gera gentileza.

Ser agradável contagia e derruba qualquer cenho carregado, qualquer mau humor momentâneo.

Numa sociedade onde tantas palavras desagradáveis correm soltas aqui e ali, onde tantas reclamações e xingamentos incendeiam os ânimos e machucam as almas, faz-se importante aprender a ser agradável.

Ser agradável sempre, independente da situação que estejamos vivendo, independente de como estamos sendo tratados e recebidos.

Agindo assim filtramos o ambiente pesado do mundo, e espalhamos o perfume da fraternidade.

Tal comportamento traz sempre frutos bons e surpreendentes pois representa, em sua essência, o amor.

 

Redação do Momento Espírita inspirado no cap. 6, do livro Como fazer amigos e influenciar pessoas, de Dale Carnegie, ed. Companhia Editora Nacional.

November 19

Tudo é para o bem

 

Havia um homem judeu de nome Mahum, que significa Também. Chamavam-no assim porque para tudo o que lhe acontecesse, por pior que fosse, ele afirmava, com toda convicção: Isto também é para o bem!

Se a chuva lhe destroçasse o jardim ou a enxurrada lhe destruísse o labor da horta, repetia sempre: Isto também é para o bem.

E, sem titubear, colocava-se no trabalho de reconstrução do jardim e da horta.

Se a enfermidade o alcançasse, falava: Isto também é para o bem. Medicava-se e aguardava a recomposição das forças físicas, retornando ao labor incessante.

Certa noite, Mahum precisou se deslocar até à cidade vizinha.

Preparou seu burrico, que lhe seria o meio de transporte, o galo que funcionava como seu relógio e despertador, e uma lamparina para que lhe iluminasse o caminho.

Ela deveria servir, inclusive, para que, antes de repousar no seio da floresta que deveria atravessar, pudesse se deter na leitura das escrituras.

Noite alta e ele no coração da floresta. De repente, o óleo da lamparina derramou e ela se apagou. Ele ficou às escuras. Inesperadamente, o galo começou a passar mal e morreu. Não demorou muito e foi o burrico.

O pobre homem ficou sozinho, na escuridão da floresta, em meio a ruídos estranhos e assustadores.

Mesmo assim, afirmou sem medo: Tudo o que Deus faz é para o bem.

Acomodou-se como pôde e dormiu.

No dia seguinte, o sol o veio despertar, vencendo a fechada copa das árvores. Ele prosseguiu viagem a pé. Quando, muitas horas depois, chegou à cidade, seus conhecidos o olharam com espanto.

Todos pareciam estar vendo um fantasma. Por fim, lhe perguntaram:

Como pode você estar vivo? Soubemos que, ontem à noite, foram despachados soldados romanos à floresta, com o intuito de matá-lo!

Foi então que Mahum explicou tudo que havia acontecido, concluindo: Se minha lamparina não tivesse apagado, o galo e o burrico morrido, com certeza estaria morto. Pois o clarão da lamparina, o zurrar do burrico e o cacarejar do galo denunciariam o local onde me encontrava.

Bem posso continuar a dizer: "Tudo o que Deus faz é para o bem."

                                                        *   *   *

Quando a tormenta se faz mais violenta e as dores se tornam mais acerbas, é o momento de se ponderar porque elas nos atingem.

O bom senso nos dirá sempre que razões poderosas existem, assentadas no ontem remoto ou no passado recente, porque a Divina Providência tudo estabelece no momento próprio e na medida exata.

Deus é sempre a sabedoria suprema e a justiça perfeita, atendendo as mínimas necessidades dos Seus filhos, no objetivo maior do progresso e da redenção.

 

Redação do Momento Espírita com base em texto do

Correio Fraterno do ABC, de maio/1998.

November 18

QUANDO CHORO MEU PAÍS

 

Quando olho meu Brasil, tão vasto em território e tão pobre em amor dos seus filhos;

Quando o vejo tão rico de sol, vida e luz e tantos dos seus filhos vivendo em condições precárias, onde lhes falecem o direito à saúde do corpo e da alma, pois que carecem investimentos governamentais específicos;

Quando contemplo as manhãs brilhantes, gritando esperança, e observo os interesses de poucos sobrepujando o bem-estar de toda uma nação;

Quando me dou conta de que o país é pleno de riquezas minerais, vegetais, hídricas, que são depreciadas;

Quando percebo que há filhos de extraordinários dotes intelectuais, artísticos, do coração, nesta terra, e os vejo abandonarem estas fronteiras para conseguirem seu lugar ao sol em distantes terras, eu choro.

Choro por saber que este país poderia ser o Eldorado dos milhões de seres que aqui vivem.

Lamento ver criaturas esfarrapadas, quando poderiam estar vestindo a camisa do país, no verdadeiro sentido;

Lamento ouvir queixumes, críticas e desaires a respeito de uma terra tão promissora e generosa.

Nesse dia de dores, coloco o hino pátrio para ouvir, bem alto. E penso como seria bom se ele fosse mais ouvido, mais cantado, mais pensado, mais vivido.

E, enquanto os versos musicais se sucedem, enaltecendo a pátria-mãe gentil, seus dotes físicos, a riqueza sem par destas matas, penso que é tempo de nós, brasileiros, despertarmos.

É hora de sacudir a poeira do comodismo e lutar por um país mais justo, onde seus filhos vivam em plenitude.

Onde seus filhos nasçam, com a certeza de que a mãe gentil lhes dará abrigo ao corpo, alimento ao Espírito.

Um país onde se privilegie a instrução, não como algo demagógico, para ser acionado em momentos de estratégia política, mas sim com o objetivo de ilustrar as mentes privilegiadas que somos todos, na qualidade de Espíritos imortais.

Um país onde se possa ostentar não somente as valiosas medalhas conquistadas no atletismo, no esporte, mas igualmente se coloque no peito dos que o servem com dedicação, as medalhas de ouro da gratidão.

Um país onde Ordem e Progresso não sejam somente uma legenda na bandeira.

Mas, sobretudo, uma meta gravada no coração de cada filho seu, nascido em sua terra ou adotado de distantes paragens.

Tudo isso não é utopia.

É possível no hoje e no agora. Será suficiente que cada um de nós ponha em prática sua condição de cidadão consciente dos seus deveres, de forma prioritária.

Estudar, trabalhar, mostrando que filho desta terra, legítimo herdeiro das suas riquezas, somente é aquele que a dignifica com inteligência e suor.

                                                                 * * *

Amemos nosso país, investindo na cultura, no bem, na justiça.

Orgulhemo-nos do verde da esperança, do amarelo que traduz a intelectualidade, do azul da harmonia e do branco da paz.

Nesse dia, ufanemo-nos, cantando:

Verás que um filho teu não foge à luta,

Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Ó, pátria amada

Idolatrada...

És tu, Brasil.

 

Redação do Momento Espírita.

November 17

A REAL DECISÃO DE MUDAR

 

Em uma grande cidade do Brasil, um garoto de oito anos crescia sob os cuidados do irmão, apenas dois anos mais velho que ele, pois os pais precisavam trabalhar o dia todo. Apresentava dificuldades na escola.

Sua professora, ao invés de incentivá-lo a melhorar, expunha suas dificuldades à classe de maneira jocosa, e disse à sua mãe que ele não tinha mais jeito.

O garoto, sentindo-se cada vez mais incapaz, repetiu pela segunda vez o mesmo ano escolar. Revoltado, assaltou a cantina da escola com um revólver de brinquedo que ganhara, sendo, a seguir, expulso da escola.

Sem obrigações, passou a ficar na rua o dia todo e fez-se acompanhar de outros garotos desocupados. Começaram a assaltar pessoas, roubar carros e usar drogas.

Alguns anos depois, alguns de seus colegas de crime perderam suas vidas em função de dívidas com traficantes. Ele teve a certeza de que seria o próximo.

Com medo, procurou uma educadora que criara uma Fundação no bairro onde morava, e que ensinava atividades como idiomas e música a jovens carentes.

Ela o aconselhou a sair das ruas, pelo menos por algum tempo. Para ajudá-lo a passar o tempo, emprestou-lhe um livro. Era o primeiro livro que ele lia em sua vida, e foi o suficiente para arrebatá-lo.

Vieram, então, outros livros e a decisão de procurar um emprego. Na Fundação que o ajudara, conheceu outros jovens que estudavam para o vestibular.

Conseguiu apostilas e passou a estudar no intervalo do emprego. Fez supletivo aos 21 anos e prestou vestibular para um curso de línguas em uma Universidade pública de renome. Foi recompensado.

Ainda cursando a Universidade conseguiu voltar à escola de onde fora expulso: agora como professor de português.

Depois de formado, seguiu os estudos ingressando na pós-graduação em Educação Social. Hoje, trabalha em uma entidade não governamental na região onde mora.

Escreveu um livro sobre o assunto e deseja mostrar, com seu exemplo, que é possível mudar, que nada é irremediável.

                                                       *   *   *

O que o garoto fez para mudar o curso de sua jornada? O medo de perder a própria vida foi para ele um incentivo importante para mudar de rumo.

Ele ouviu sua própria intuição que o levou a procurar ajuda no local certo. Encontrou alguém que acreditou nele, e o mais importante: ele realmente decidiu mudar.

Como aquela educadora que o acolheu, há incontáveis pessoas e instituições que hoje se dedicam a auxiliar criaturas em situação econômica precária, drogaditos, presidiários, dando-lhes oportunidades.

Mas, em toda e qualquer situação, o auxílio não muda realmente o indivíduo, a não ser que ele mesmo decida mudar.

Reflitamos sobre as numerosas mudanças que decidimos fazer em nossas vidas, mesmo que pequenas, e que, muitas vezes não passam da vontade, diante do comodismo e dificuldades que criamos para não mudar.

A história desse jovem nos serve de lição e de exemplo sobre a real decisão de se modificar e superar a própria condição.


 

Redação do Momento Espírita com base na reportagem O ladrão que virou professor, publicada no Caderno Cidades, do jornal  “on line” estadão.com.br.
http://www.mundovestibular.com.br/articles/7448/1/O-ex-ladrao-estudou-na-USP-e-virou-professor/Paacutegina1.html

 
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Kathys comments

Have a lovely day
My Lady

May 7
4b0813d49b0a5c03e2341b11c6fb17aa.gif picture by letizia555Photobucket
  
http://live-space-live.spaces.live.com/ 
Dear friend Κόκκινο τριαντάφυλλο
Please accept all my best wishes Κόκκινο τριαντάφυλλο
for a "Happy New Year" Κόκκινο τριαντάφυλλο
From Athens friendly Κόκκινο τριαντάφυλλο
Sotiris Κόκκινο τριαντάφυλλο
Jan. 2
Nataliya .wrote:

 

IL PRIMO GIORNO DELL'ANNO
Pablo Neruda
 Lo distinguiamo dagli altri
come se fosse un cavallino
diverso da tutti i cavalli.
Gli adorniamo la fronte
con un nastro,
gli posiamo sul collo sonagli colorati,
e a mezzanotte
lo andiamo a ricevere
come se fosse un esploratore
che scende da una stella.
La terra accoglierà questo giorno
dorato, grigio, celeste,
lo bagnerà con frecce
di trasparente pioggia
e poi lo avvolgerà
nell'ombra.
Eppure
piccola porta della speranza,
nuovo giorno dell'anno,
sebbene tu sia uguale agli altri
come i pani
a ogni altro pane,
ci prepariamo a viverti in altro modo.

Poesie di Natale, Poesie di Capodanno, Tradizioni di Natale, EpifaNIA, bEFANA            Poesie di Natale, Poesie di Capodanno, Tradizioni di Natale, EpifaNIA, bEFANA

Jan. 1
Nataliya .wrote:



WITCHYS WIKKED GRAPHIX

WITCHYS WIKKED GRAPHIX

Dec. 22
Nov. 14
BUENOS DÍAS!!
 
TE DESEO UN GRAN DÍA!!!
 
Espero una visita y una firmita en mi libro o en alguna foto, ok? jajaja
Un fuerte abrazo!!!
 
 
img244/6057/us016rjwi9tci1cltcr3.gif
Nov. 7
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Nov. 4
Nov. 2
Buenos aires
Nov. 1
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Oct. 31
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