個人檔案MOZARMS相片部落格清單更多 工具 說明
10月12日

Esquecer para aprender

 

Fernando Pessoa, o brilhante poeta português, escreveu certa feita:

Procuro despir-me do que aprendi. Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram, e raspar a tinta com que me pintaram os sentidos, desencaixotar minhas emoções verdadeiras, desembrulhar-me, e ser eu.

O poeta, na ânsia de entender os porquês da vida, percebia que muito do que nos falam, ensinam, mostram, funciona, aos poucos, como camadas de tintas, a nos encobrir, a nos moldar.

Quantas vezes ouvimos nos dizerem: emprego bom é emprego que paga bem, tentando nos convencer que o valor do salário deva ser a preocupação número um na nossa vida profissional.

Outras tantas pessoas insistem em afirmar que importante é ter, possuir, gozar a vida naquilo que brilha aos olhos.

Há ainda, os que vivem pautados no egoísmo e autocentrismo, cuidando para que tudo, a princípio, seja deles para, em segundo momento, ser para eles, e em um terceiro momento, para os seus, jamais pensando no próximo ou na sociedade.

Frente a tantas camadas de tintas que insistem em nos pintar, há que se perguntar: Por quais valores devo me pautar? Como viver? Qual a melhor bússola para me guiar?

Inevitável, para responder a essas perguntas, lembrarmo-nos de quem somos, de onde viemos e para onde vamos.

É inevitável esquecer que somos apenas um corpo material, que vivemos apenas essa existência, e que todas as nossas experiências estão restritas entre o berço e o túmulo de uma única vida. Há que se aprender que somos Espíritos eternos.

E para aprender de um lado, há que se esquecer do outro. Como nos ensina o educador Rubem Alves, toda aprendizagem produz esquecimento.

Assim, esqueça que lhe ensinaram que você está aqui a passeio. Esqueça que lhe fazem crer que esta é sua única experiência. Esqueça que insistem em lhe convencer que as coisas acontecem por mero acaso, sem uma ordem Divina.

                                                       *   *   *

É necessário esquecer essas ilusões que vivemos, para aprender que somos Espíritos imortais, rumando à perfeição, construindo passo a passo nossa estrada redentora de autoiluminação.

É necessário esquecer as ilusões que os sentidos e a memória nos provocam, achando que nada houve antes do nosso nascimento.

É necessário aprender que trazemos na nossa bagagem emocional e intelectual todas nossas conquistas, felizes e infelizes, frutos de nossas próprias opções, sendo, cada um de nós, herdeiro de si mesmo.

Nesse exercício de esquecimento dessas ilusões, iremos aos poucos raspando a tinta com que nos pintaram os sentidos, iremos desencaixotando nossas emoções verdadeiras, desembrulhando-nos para, efetivamente, vivermos como Espíritos imortais.

Viveremos como quem não pertence à Terra, muito embora aqui estagie por um período, entendendo que aqui estamos para aprender as coisas de Deus.


 

Redação do Momento Espírita.

10月11日

DEVER E FANTASIAS

 

Em sua busca pela felicidade, o homem não raro embrenha-se em caminhos tortuosos.

É freqüente a confusão entre ser feliz e realizar fantasias.

Para a criatura irrefletida pode parecer necessário que todos os seus sonhos se concretizem, para que ela se considere plena.

Ocorre ser a felicidade, sob esse enfoque, uma utopia de impossível efetivação.

O ser humano é ilimitado em seus devaneios e fantasias.

Realizado um projeto, surge logo outro, mais ambicioso.

Se é a falta da casa própria que infelicita, após sua aquisição, com freqüência, deseja-se outra maior.

Ao desejo de possuir automóvel em bom estado, sucede o anelo de adquirir um carro do ano.

Quem tem casa e carro, por vezes almeja viajar ou garantir a faculdade dos filhos.

Idêntico fenômeno dá-se nos mais variados quadrantes da existência.

É o desejo de notabilizar-se na carreira, freqüentar o melhor clube da cidade, possuir roupas luxuosas ou jóias.

Muitos desses desideratos são legítimos, mas sempre surge algo novo a ser buscado e nem tudo que se deseja acontece.

Se for necessário realizar todos os sonhos para o homem se sentir pleno, a frustração será sua constante companheira.

Por outro lado, ao desavisado pode parecer que tudo é legítimo para alcançar suas metas.

Talvez toda dificuldade seja considerada uma desgraça, um obstáculo a ser removido a qualquer preço.

Se o casamento não vai bem, pode parecer melhor terminá-lo de vez, para encontrar outra pessoa que seja ‘perfeita’.

O familiar doente ou de difícil convívio quiçá se afigure alguém a ser evitado a todo custo, sob o falso pretexto de preservar a própria paz.

Ora, a infantilidade e a superficialidade desse modo de viver são por demais óbvias.

O progresso é uma das leis da vida, e o homem é sempre chamado a burilar-se, aperfeiçoar-se, tornar-se melhor e mais forte.

As dificuldades têm a finalidade de ajudar a desabrochar o anjo que em todos reside, mediante o exercício das virtudes cristãs.

Felicidade não é sinônimo de cofres cheios, vaidades satisfeitas, absoluta ausência de problemas e desafios.

O Cristo, modelo e guia da humanidade, afirmou que oferecia sua paz, mas que a cada qual seria dado conforme suas obras.

Também disse que quem quisesse deveria tomar sua cruz e segui-lo.

Os obstáculos, os desejos não realizados, as limitações têm o objetivo de sensibilizar-nos para a beleza da mensagem do Cristo.

Eles nos auxiliam a valorizar o que é eterno, em detrimento do transitório.

A conquistar, mediante o abandono das ilusões, a tão sonhada paz: o tesouro colocado onde ninguém pode roubar.

Felicidade, pois, não é ter tudo o que se quer, mas estar em harmonia com a própria consciência e com as leis divinas.

Entre concretizar uma fantasia e atender as próprias obrigações, o homem sensato não pode titubear.

Se um sonho demandar, para realizar-se, violação de nobres compromissos assumidos, ou não se amoldar a uma consciência tranqüila, é melhor desistir dele, por mais sedutor que seja.

Consciência pesada é algo inconciliável com a plena realização do ser.

Não há felicidade sem paz e não há paz sem deveres rigorosamente cumpridos.

Pensemos nisso!


Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita.

CRIANÇA

 

De tudo o que nos cerca na vida, um dos dons mais preciosos que Deus nos proporciona é a presença da criança.

Ela tem o dom especial de dar sabor e graça a tudo. Contenta-se com tão pouco: um passeio, um por de Sol, um pacote de pipoca.

E tem a pretensão de que o mundo inteiro lhe pertence. É sua a árvore, a bola, a peteca. É seu o pássaro, o jardim. São seus o carro do papai e o batom da mamãe.

Uma criança nasce com um brilho angelical e mesmo crescendo, sempre fica um elo de luz suficiente para nos cativar o coração, mesmo que ela se sente no lodo, chore a todo o volume, faça um berreiro ou ande pela casa se gabando depois de vestir as melhores roupas e sapatos de sua mãe ou de seu pai.

Ela pode ser a mais carinhosa do mundo e parecer a mais ingênua, até o ponto de esgotar a nossa capacidade de responder perguntas.

Quando está brincando, produz todo tipo de ruídos que nos colocam os nervos à flor da pele.

Quando a repreendem ela fica quietinha, faz beicinho, carinha de choro. Mas continua com esse brilho angelical nos olhos.

Ela é a inocência jogada na terra, a beleza fazendo cambalhotas e também a mais doce expressão do amor materno, quando acaricia e faz dormir a sua boneca ou o seu bichinho de pelúcia.

Quando Deus a cria, utiliza uma parte da matéria-prima de muitas de suas criaturas. Usa os gorjeios do sabiá e os saltos do gafanhoto, a curiosidade e a suavidade do gato, a ligeireza do antílope e a teimosia de uma mulinha.

Gosta de sapatos novos, de sorvete, brinquedos, do jardim de infância, dos companheiros de folguedos e de correr atrás dos pombos e do gatinho.

Adora livros de colorir, as lições de dança, a bola e o patinete.

Ama a praia, o sol, o mar, as férias, o luar e as estrelas.

Não gosta que lhe penteiem o cabelo e é a mais ocupada criatura na hora de ir para a cama, porque sempre precisa acabar alguma coisa que ainda nem começou.

Ninguém nos dá maiores aflições ou alegrias, desgosto ou satisfações ou o mais legítimo orgulho.

Pode bagunçar nossos papéis de trabalho, o cabelo e a roupa. É especialista em nos pedir tempo para compartilhar das suas brincadeiras e tem uma fértil imaginação.

Às vezes, pode parecer uma calamidade que quase nos desespera com tantos ruídos e travessuras.

Mas quando sentimos que as nossas esperanças e desejos estão a ponto de cair por terra, quando o mundo parece que se fecha para nós; quando chegamos a pensar que o fracasso logo nos alcançará, ela nos converte em majestades, quando se senta em nossos joelhos, passa os bracinhos pelo nosso pescoço e pede para contar um segredo no ouvido, e diz: Eu te amo!

                                                  * * *

As crianças são como espelhos. Na presença do amor, refletem o amor. Quando o amor está ausente, elas nada têm a refletir.

Guardamos sérias responsabilidades para com esses espíritos que nos foram confiados por Deus, nosso Pai,.

Na condição de pais, é nosso dever guia-os pelos caminhos do bem, falar-lhes de responsabilidades e dos objetivos da vida.

E a melhor forma de ensinar é exemplificar. E exemplificar exige que se dedique tempo e amor aos nossos filhos.


Equipe de Redação do Momento Espírita, a partir do texto da autoria de Juan Alfonso Astiazarán, intitulado “Que é uma menina?”, da obra Um presente especial, de Roger Patrón Luján.

10月9日

Viver com Jesus

 

Por volta de dois mil anos atrás viveu entre nós alguém que muito nos amava e que Se tornaria, indubitavelmente, nosso maior Modelo de vida.

Apesar da curta passagem como homem encarnado, Jesus deixou uma mensagem que cresceria através dos séculos. Hoje, numerosas religiões O têm como referência em quase todos os pontos da Terra.

Ele falou a todos sem distinção: pobres, ricos, poderosos, gente do povo. Não demonstrava preferências, escolhendo entre os Seus apóstolos pescadores sem instrução formal e homens letrados, como Mateus.

Escolheu entrar em casas de pessoas humildes de haveres materiais mas, também em casas de homens ricos, pois entendia que todos precisavam ouvir Suas palavras.

Valorizou as mulheres em uma época na qual elas eram consideradas uma posse dos pais ou dos maridos. Entre Suas seguidoras estavam Joana de Cusa, esposa de um homem do poder político da época e Maria Madalena, que mudou de vida ao conhecê-Lo.

Jesus usava ora palavras doces, ora linguagens figuradas, ora palavras mais duras. Recebeu, para dialogar, doutores da lei como Nicodemos a quem não negou ensinamentos.

Sua vida de pregação foi curta, mas Ele era um perfeito exemplo do que falava e, sem dúvida, isto impressionava a todos que O conheciam.

Em Seus últimos momentos não mostrou revolta ou desejo de vingança, ao contrário, pediu a Deus que perdoasse a todos, em uma imensa demonstração de amor.

Muitos dos primeiros cristãos, mesmo sem O terem conhecido diretamente, muito O amavam e não titubeavam em abdicar da vida física em nome Daquele a quem seguiam.

Joana de Cusa, no momento em que seria martirizada por meio do fogo, responde ao seu algoz que lhe perguntara se seu Mestre só a ensinara a morrer, dizendo que Ele também a ensinara a perdoar quem lhe tirava a vida.

                                                      *   *   *

Hoje, após tantos séculos, amar Jesus não nos faz correr riscos. Os tempos são outros.

Hoje, o grande desafio é viver conforme os ensinamentos de Jesus, em um mundo no qual vicejam o materialismo, o apego ao poder a qualquer custo e, no qual os valores morais parecem desconhecidos para muitos.

A decisão é pessoal: ninguém pode nos obrigar a segui-Lo, já não mais como apóstolos ou como mártires, mas como pessoas que valorizam a retidão moral e que sabem amar.

Sim, o grande ensinamento de Jesus foi o amor. Se amamos realmente a nós mesmos, não nos permitimos a autoagressão através dos vícios, sejam morais ou físicos. Se nos amamos, buscamos a educação moral e intelectual.

Se amamos nosso semelhante, nunca nos permitiremos a desonestidade, a raiva, a inveja e, muito menos, a indiferença.

Se amamos Jesus, buscamos a luz dentro de nós mesmos, compreendendo que viver é aprender a servir para o bem.

Não é difícil entender que para se viver com o Guia da Terra em experiência integradora, devemos desenvolver em nosso caráter o que existe de mais sóbrio, de mais lúcido e grandioso, engajando-nos na verdadeira educação.

                                                    *   *   *

Quando a educação do intelecto e do sentimento se constituir em uma rota bem aventurada para todos, a aproximação real com nosso Sublime Condutor se fará de maneira consciente, nobre e irreversível.

Reflitamos sobre Jesus e sobre a decisão de viver com Ele, na busca da felicidade real e duradoura!


  

Redação do Momento Espírita com base no cap. 22 do livro
Educação e vivências, pelo Espírito Camilo, psicografia
de Raul Teixeira, ed. Fráter.

10月8日

EDUCAR PARA SALVAR

Diante dos dias conturbados por que passa a sociedade atual, só existe uma maneira eficiente de fazer com que desponte uma aurora límpida e bela, neste limiar do terceiro milênio: a educação.

Somente através da educação bem sedimentada poderá surgir o homem renovado do século XXI.

Mas, educar não significa apenas transmitir padrões sócio-culturais, nem acompanhar o desenvolvimento físico-intelectual da criança ou passar uma série de informações pela instrução formal.

A educação, bem entendida, consiste em formar o homem de bem, contemplando seu duplo aspecto: espiritual e físico.

A violência grassa e desgraça, num mundo onde o ser humano vem perdendo o senso de fraternidade, de solidariedade, face aos conflitos de opiniões, às imposições do intelecto sobre o sentimento, à robotização que transforma o ser humano em máquina, a repetir atividades que lhe destroem a capacidade de criar, de enriquecer-se de novos valores espirituais.

Educar, no sentido que o termo exige, é desenvolver, cultivar, fazer brotar, elevar, fazer crescer, não de maneira unilateral, mas de forma integral, para que o educando possa ser o cidadão honrado que todos desejamos encontrar na sociedade da qual fazemos parte.

E para que se atinja esse grandioso objetivo será preciso, antes de tudo, duas premissas básicas: amor e auto-educação.

Amar para educar e auto-educar-se para amar. Esse binômio: amor e auto-educação deverá ser o denominador comum para pais e mestres.

Aos pais não basta amar, é preciso que seu amor seja firme, sem tirania, e terno, sem pieguice.

Aos mestres não basta instruir, transmitir informações áridas, sem o real enriquecimento do conteúdo com o tempero do afeto.

É preciso que haja uma conjugação de forças entre pais e mestres para que se logre êxito na reforma moral da humanidade.... Para que se possa ver o despontar da verdadeira aurora do terceiro milênio...

É preciso que o ser humano passe a ser o tesouro mais valioso do planeta, para que entenda o papel que lhe cabe na obra do Criador.

É preciso que não se tente resumir o ser humano a uma simples máquina de fazer sexo, fabricar dinheiro, se projetar sob as luzes transitórias dos holofotes da fama.

É preciso que se compreenda a realidade imortal do homem.

É preciso que se entenda, de vez por todas, que o ser humano não é um amontoado de ossos e músculos, numa breve experiência espiritual.

O homem é um ser espiritual, imortal, vivendo uma breve experiência num corpo carnal, frágil e perecível, que caminha na direção do túmulo.

E, por fim, é preciso que se viva como ser imortal, que terá que prestar contas dos seus atos à consciência cósmica e à própria consciência, assim que se desembaraçar da carne.

Se pais e mestres, que geralmente também são pais, amassem para bem educar e se auto-educassem para amar, o panorama do mundo se transformaria em pouco tempo, para melhor.

Veríamos no lar, que é a primeira escola, as crianças aprendendo o respeito ao semelhante, a dignidade, a honradez, a liberdade intelectual, o respeito a si mesma e ao próximo.

E, na escola, com mestres conscientes do seu nobre dever, aprenderiam as lições para iluminar o intelecto, mas sempre acompanhadas com os componentes do amor e da ternura.

Eis uma receita infalível...

Eis a solução para banir, definitivamente, a violência da face da Terra.

Pense nisso!

A educação sem um propósito de transcendência é uma idéia vazia e estreita e pode sempre se tornar instrumento de manipulação dos poderes sociais.

 

Equipe de Redação do Momento Espírita,

com base no livro A Educação da nova era,

introdução e cap. VIII, de Dora Incontri, ed. Comenius.

10月7日

AMAR É...

 

O que é o amor?

É sentimento. É estado d´alma?

E como buscá-lo, como vivê-lo. desde que todos os grandes Espíritos que vieram à Terra disseram ser ele o caminho seguro?

Os conceitos atribuídos ao amor são inúmeros. As discussões filosóficas tornam-se sem fim.

Porém, o que realmente precisamos conhecer é sua prática, sua vivência em nossos dias.

A compreensão maior virá como consequência, como se precisássemos estar em seu íntimo para finalmente descobri-lo.

O amor é o sacrifício pelo próximo que, aos olhos do mundo, é pesado, é difícil, mas para quem ama é leve, gratificante.

Amar é interessar-se pela vida do outro, é perguntar: Como foi seu dia? É questionar: Você está bem? E estar realmente atento para ouvir a resposta.

Amar é modificar nossa rotina para ouvir um amigo, fazer-lhe uma visita, levar notícias boas.

Amar é reunir a família, sem a necessidade de uma comemoração especial, apenas para celebrar a presença de todos, para fortalecer os laços.

Amar é adiar um sonho para atender as necessidades de um filho, de um pai, de uma mãe.

Amar é respeitar as opiniões dos outros, mesmo que elas sejam diferentes das nossas.

É abraçar os familiares, não apenas quando celebrem aniversários, ou conquistas, mas sempre que o coração lembrar do quanto se querem bem.

Amar é chorar junto. É sorrir junto. É sempre guardar a esperança de que tudo será melhor.

Amar é saber dizer sim. É saber dizer não. É saber ouvir um sim, saber ouvir um não.

Aqueles que amamos jamais serão um peso em nossas vidas. Pelo contrário, serão eles que nos farão mais leves. Serão eles os agentes que farão com que nossa consciência esteja satisfeita, que nosso íntimo receba energias revigorantes do Alto, fazendo-nos mais felizes.

O verdadeiro amor não está distante. Não está apenas nos romances literários, nos poemas inspirados, nas imagens dos sonhos. Ele está conosco nos pequenos gestos de carinho, nas gentilezas inesperadas, nas renúncias.

O verdadeiro amor não está distante. Ele aguarda apenas que as mãos fortes da vontade o alcancem, e concedam-lhe a chance de respirar os ares do mundo.

                                                         * * *

Os Espíritos Superiores nos ensinam que amar, no sentido profundo do termo, é o homem ser leal, probo, consciencioso, para fazer aos outros o que queira que estes lhe façam.

É procurar em torno de si o sentido íntimo de todas as dores que acabrunham seus irmãos, para suavizá-las.

É considerar como sua a grande família humana, porque essa família todos a encontraremos, dentro de certo período, em mundos mais adiantados, e os Espíritos que a compõem são, como nós, filhos de Deus, destinados a elevar-se ao infinito.


Redação do Momento Espírita, com base no cap. XI, item 10 de O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. Feb.

10月6日

O HOMEM CERTO

 

Embora digamos o contrário, ainda guardamos n’alma muito preconceito.

Preconceito de raça, de cor, de religião. Costumamos catalogar as pessoas pela forma como se vestem, como se sentam, como falam.

Quem trabalha com voluntários, já deve ter

se surpreendido, mais de uma vez, com resultados de pessoas que pareciam, a princípio, totalmente inadequadas.

A psiquiatra Elisabeth Klüber-Ross narra uma das suas mais positivas experiências.

Ela fora chamada à casa de um homem para uma consulta. Largado em uma cama, totalmente paralisado, incapaz de falar, era um farrapo humano.

Através de um quadro de fala que utiliza para se comunicar com doentes que não conseguem se expressar, a doutora soube do seu drama.

Segundo ele, a esposa estava tentando se livrar dele. Há quatro anos cuidava dele e agora estava fazendo arranjos para o mandar a um hospital.

Ele sabia que tinha poucas semanas de vida. Durante 4 anos ele viu os seus filhos crescerem e isso lhe deu forças para suportar a doença.

Queria que a doutora pedisse à esposa que agüentasse só mais algumas semanas. Ele prometia que morreria logo para não continuar a ser uma carga tão pesada para ela.

Questionada, a esposa, em lágrimas, confessou que estava procurando um internamento, sim. Ela não suportava mais. Estava no fim da sua força física.

Precisava de um homem, dizia. Um homem forte que pudesse ficar com seu marido das 8 da noite às 8 da manhã, para que ela pudesse dormir.

Todos os que já cuidaram de um paciente durante 24 horas por dia sabem que nenhum ser humano consegue fazer isso durante 4 anos, sem exaurir-se.

De toda forma, a dra. Elisabeth pediu que ela tivesse paciência por 5 dias. Nesse período, dispunha-se a encontrar alguém para ajudar.

Era preciso que fosse um voluntário. A família não tinha mais recursos. Nos dias que se seguiram, durante as suas aulas, a psiquiatra começou a procurar o homem ideal.

O tempo estava se esgotando e só o que conseguiu foi um homem que ela achava extremista.

Ele era cheio de manias. Alimentava-se somente de arroz integral e vegetais crus. Viajava de um lado a outro, à procura de gurus.

Sentava-se todo encolhido. Enfim, nada que o credenciasse. Contudo, ele disse: “quero fazer esse tipo de trabalho.”

A doutora tentou assustá-lo: “estaria ele disposto a trabalhar 12 horas por dia? A cuidar de um homem que não consegue falar? Que não consegue escrever nem um bilhete?  Dia e noite? Sem remuneração?”

Ele aceitou todas as condições.

Pois o voluntário que parecia tão estranho, não somente foi trabalhar para aquela família como fez o melhor trabalho que qualquer outro poderia ter feito.

Durante as semanas que antecederam a morte do paciente, ele lhe preparou refeições especiais, massageou-lhe os pés, leu para ele.

Realmente cuidou dele, com carinho, dedicação. Depois da morte do enfermo, ainda permaneceu na casa por mais duas semanas.

Queria ter certeza de que a família ficaria bem. 

                                                         * * *

Não se deixe enganar pelas aparências. Nem faça juízo precipitado de quem você não conhece.

Permita que a pessoa possa demonstrar os tesouros que guarda na intimidade.

Dê-lhe um espaço para o trabalho. Permita-lhe a floração.

Se houver necessidade de uma poda, um pequeno arranjo, você poderá providenciar, na seqüência.

Mas não abafe as sementes da bondade que desejam florescer e frutificar no coração das criaturas.


Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no cap. O casulo e a borboleta, do livro O Túnel e a luz da Dra. Elisabeth Kübler-Ross, ed. Verus.

10月5日

HERÓI DE TODO DIA


 

Já percebeu que nas histórias em quadrinhos e nos desenhos animados o herói está sempre disposto a salvar, a ajudar, a socorrer?

Nessas histórias, o personagem herói é sempre incansável, não mede esforços para ajudar, e é capaz de esquecer das suas vontades e desejos quando precisa agir.

Porém, você se deu conta de que esses heróis também existem no mundo real? Já conseguiu perceber que a vida está repleta desses grandes heróis?

Como alguns heróis dos quadrinhos, esses também, que encontramos no nosso cotidiano, não fazem questão da fama e do sucesso. Eles preferem o prazer do anonimato, onde a glória e a fama são plenamente substituídas pelo sentimento do dever cumprido.

São heróis nossos de cada dia, todos aqueles capazes de chegar ao lar, após um dia intenso, onde o peso do mundo parece descer sobre os ombros, e ainda ter disposição para brincar de pega-pega ou de cavalinho, com os pequenos que os esperam ansiosos.

Não há como não chamar de heróis aqueles capazes de deixar de lado relatórios, e-mails e trabalhos, abrindo mão dos compromissos profissionais levados para casa, somente para escutar as aventuras e sonhos do universo infantil.

É um heroísmo ser capaz de não perder a sensibilidade com as lutas da vida e os compromissos que se sucedem, e entender que o tempo gasto para responder sobre a cor do céu ou as dúvidas mais surpreendentes da vida não é perda de tempo, mas investimento na vida daquele que ama.

Esses heróis são capazes de ensinar com a leveza da alma e a firmeza do agir, sobre os valores da vida, sobre a honestidade, o respeito ao próximo e a retidão do caráter como indispensáveis para a vida.

E para nos ensinar essas coisas, como todo bom herói, esses não gostam do discurso, da frase feita ou do grande diálogo. Ensinam-nos pela melhor pedagogia: a do exemplo.

Nossos heróis anônimos são capazes de dar uma escapadinha da correria do cotidiano só para ver um jogo de bola, ou uma singela apresentação musical, ou uma declamação de poesia que seja... Mesmo que ela tenha não mais que quatro versos.

Fazem não por eles, mas porque sabem que, para seus filhos, isso é muito importante.

E fazem tudo isso porque sabem que eles não são heróis feitos para salvar vidas. Eles entenderam, desde há muito, que Deus os fez heróis diferentes. São heróis que constroem vidas.

Por isso são capazes de achar importante as coisas mais simples, quando as coisas simples são importantes para seus filhos.

São capazes de esquecer seu cansaço, compromisso ou o seu lazer, para fazer do lazer dos filhos, o seu lazer.

Eles são heróis porque entendem que tudo isso que fazem hoje, talvez os filhos não entendam, nem consigam reconhecer e agradecer, mas um dia fará toda a diferença.

Eles, os nossos heróis, nunca se cansam e nunca desistem da sua poderosa missão. Isso porque dentro deles há um combustível mágico que os move, tão mágico que quanto mais eles usam, mais se multiplica: o combustível do amor.

E alguns de nós ainda temos a grande felicidade de chamar esses heróis por uma outra palavra: pai.


Redação do Momento Espírita.